quinta-feira, 7 de maio de 2009

3 por 1

Um fato me chamou muita atenção no último estágio na delegacia de proteção a criança e ao adolescente - DPCA. A PM trouxe três garotos, ou melhor três crianças, uma de 4 anos e 8 anos, ambos irmãos, e um de 12 anos, vizinho dos irmãos. Estavam sendo acusados e entrar numa casa de uma vizinha deles para furtarem, conseguiram levar alguns bens da vítima. O fato que me chamou a atenção não foi a infração em si mas, o fato de uma criança de 4 anos está envolvida. Quando a criança foi indagada sobre o que estava fazendo, respondeu de uma forma que lhe é peculiar pela idade e inocência: "eu não chubi lá não eu fiquei lá em baxo". Uma fala que demonstrou a veracidade do fato, onde o mesmo (criança de 4 anos) não tinha subido no telhado da casa por onde entraram os outros dois para cometerem a infração. A mãe imediatamente foi acionada e levada para a delegacia, moradores de um bairro considerado "periférico"(Vítima e as Crianças). A mãe dos irmãos perto de dá a luz a outro filho chegou a delegacia. O SGT responsável pela ocorrência perguntou se a mãe não queria dá a criança de 4 anos para ele, pois o mesmo até parecia com ele e não teria problema algum em adota-lo. Negando, disse que gostaria de dá o de 8 anos, ou leva-lo para um abrigo para alguém cuidar. Vejam bem a realidade de uma grande maioria das famílias em nosso Estado. Mãe solteira, com dois filhos pequenos que não tem condições alguma de educa-los, e ainda prestes a colocar mais outro no mundo, querendo que o Estado assuma a condição dela de mãe e se responsabilize pelos filhos que ela colocou no mundo de forma irresponsável.
Não quero fazer nenhum mau pré-julgamento sobre o destino dessas crianças como algumas pessoas fazem e até já fizeram na delegacia, dizendo coisa do tipo "esses são os futuros marginais". Acredito que tal posição não tenha uma base sólida para expressar comentários do tipo, o fato de ser pobre não é fator preponderante para impulsionar o cidadão para o crime, porém, pode ser um fator que interfira ou que influêncie a decisão desses jovens. Veja bem, estou dizendo que PODE, não que SERÁ. Há uma grande diferença entre ambos. Como já dizem os sociologos "o meio causa uma grande influência da conduta do individuo". Pela a experiência prática e somente por isso, por alguns estágios realizados da delegacia referida, constatei que alguns dos "clientes", termo usado pelos funcionários daquela delegacia - um termo que eu acredito que seja até indevido, pejorativo- são em sua maioria adolescentes de pais separados, onde a mãe cria sozinha seu filho, ou deveria criar, sem a presença masculina do pai, são pais semi-alfabetizados, os adolescentes já não estudam, ou quando estudam não são frequentes na escola, são moradores de bairros considerados perigosos, posso até dizer que sejam bairros em situação de risco social elevado. Caro leitor não estou querendo levar você a uma conclusão de que a pobreza justifica a criminalidade, não comungo com essa idéia. Estou apenas traçando o pérfil do adolescente que passa pela delegacia - DPCA - . Podemos até chegar a uma conclusão de que só há menores infratores nesses bairros com alto risco social, será que é mesmo? ou então, nos perguntar, porque os menores ricos ou de classe média não se tornam infratores? Até existem menores infratores dessas duas classes sociais, porém, é um número muito pequeno, porque será? Alguma justificativa plausível deve haver, esse é um dos questionamentos que me intriga, que me faz pensar e buscar constantemente sua resposta. Esse tema será objeto de estudo de um trabalho monográfico que pretendo realizar quando sair da academia de polícia. Não me conformo em ver a situação atual da nossa juventude sendo jogada na lama, no ralo, um momento da vida tão importante que deveria estar sendo aproveitado de outra forma. Jovens e crianças não são o futuro de uma nação. Elas só serão se forem o presente. Diante dessa problemática real não posso ficar parado, esperando os governantes fazem algo, criarem algo, como cidadão ativo de uma sociedade eu tenho que fazer algo para impedir que esse fogo se alestre pela selva adentro. Cultura, lazer, esporte, arte, tecnologia, informação, são iténs que toda criança e adolescente têm direito. Temos somente que rasgar uma cidadania de papel que vivemos nos dias atuais e, avançarmos rumo a uma cidadania vivenciada em sua plenitude pelos nossos jovens. Rumo a uma CIDADANIA PLENA!

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