quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vivendo no caos?

Algo tem me intrigado nos últimos tempos: Será que estamos vivendo tempos de guerrilha no Acre? Será mesmo que estamos vivendo uma onda de roubos e furtos dignas de terras sem lei? Estamos vivendo um caos na segurança pública, será? Penso que por meio do questionamento podemos construir conhecimento e chegarmos, após análises dos verdadeiros fatos a um posicionamento lógico e real sobre o assunto, desprovido de qualquer sentimento polítido-partidário que possamos ter.
Vamos lá iniciar nossa reflexão. "Ler o mundo é um ato anterior à leitura da palavra. O ensino da leitura e da escrita da palavra a que falte o exercício crítico da leitura e da releitura do mundo é, cientificamente e pedagogicamente, capenga".
Com base no texto acima extraído de um pensamento filosófico faço minhas considerações iniciais a respeito da Segurança Pública no Estado em que resido.
A imprensa tem noticiado diariamente assaltos ocorridos no Estado do Acre, sejam contra as pessoas físicas (pessoa natural), sejam contra as pessoas jurídicas (empresas). A roupagem do material jornalístico chega a estranhar devido ao que se encontra implicíto nas pautas muitas das vezes carregados de interesses políticos. As vezes chegam a fotografar e expor as vítimas ou a cena do crime, expondo sangue, marcas, etc. Sabemos que a imprensa no seu papel de deixar a sociedade bem informada ao mesmo tempo é uma formadora de opinião. Sabemos também que muitas pessoas ouvem as notícias sem nenhum senso crítico, sem ao menos procurar saber se tal informação é verdadeira, quase verdadeira ou uma mentira e ainda pior, repassam o que ouviram como sendo uma verdade absoluta, pois acreditam na "idoneidade jornalística" da emissora ou jornal que está informando.
Hoje o Governo do Estado do Acre está concluindo a formação e empossando mais 600 policiais militares no Estado do Acre. Os governos que antecederam a frente popular entregaram em 1999 ao então Governador Jorge Viana 43 delegados de polícia civil em todo o Estado do Acre. Só o Governador Binho Marques em menos de quatro anos de mandato empossou 48 delegados de polícia civil no Estado do Acre, sendo todos formados aqui mesmo no Estado. O Governo Federal por meio do PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) oferece diversos cursos de formação continuada para o agente de segurança pública (policial militar, policial civil, bombeiros e agente penitenciário, guarda munipal) pagando uma bolsa formação de R$ 400,00 reais. A Secretária de Polícia Civil do Estado do Acre realizou neste ano curso de treinamento e manuseio de arma de fogo para os policiais civis da capital e nesta semana (23 a 27/08) está sendo ministrado o mesmo curso para os policiais do interior do Estado.
Faço esse desabafo porque estou completamente preocupado com o clima de insegurança exagerado e coberto de interesses mesquinhos de cunho totalmente difamatório-político com a única intenção de desestabilizar e desacreditar um projeto que vem construindo a médio e longo prazo os meios necessários para que possamos viver numa sociedade que tenha seus direitos humanos respeitados e usufrua de um estado democrático forte, livre das mazelas que vivemos num passado recente que não queremos mais, onde as pessoas tinham vergonha de dizer que moravam no Estado do Acre. Viviamos com o orgulho ferido, nosso espírito já não mais representava a alegria, a coragem e o orgulho das letras de Olavo Bilac se dirigindo ao Barão de Rio Branco quando o então território do Acre passou a pertencer ao Brasil "Paranhos do Rio Branco! Abençoado seja o teu cérebro, porque a tua inteligência restituiu ao Brasil os brasileiros que estavam sem pátria!" (Olavo Bilac).
Portanto caro leitores, quero finalizar dizendo que reconheço que há problemas na área de segurança pública, porém a sangria está sendo estancada. Nessa época eleitoral a área de segurança pública recebe inumeras sugestões, propostas, promessas por parte dos candidatos, porém não passam de lindas palavras que na maioria das vezes não se aplicam na prática, são discursos vazios e não se materializam. Não estamos vivendo um caos na segurança pública. A sociedade acreana não está desprotegida, nossa polícia está nas ruas para combater a quem quer que ouse viver a margem da lei. Eu acredito nas nossas policiais (federal, militar e civil) e acredito no nosso judiciário. Ocorre que não resolveremos tal problema com uma propagação injuriosa dos acontecimentos carregada de sensacionalismo e o pior, sem conteúdo jornalístico com um simples intuíto capitalista onde vender é o que é mais importante.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Saudades de um grande homem

Nosso criador tem um plano para cada um de nós.
Foi sim um grande homem, e não digo isso por que ele se foi.
Porque na verdade vivi, conheci, brinquei, joguei bola, ri, trabalhei, tudo isso tive o prazer de compartilhar com o instrutor waldomiro e sei o que digo.
Sua falta é percebida e insubstituível.
Lembro dos últimos dias que convivi com esse nobre homem. Nos jogos de futebol, da última pelada no campo de areia do tangará, do nosso do campeonato dos instrutores.
Nos dias de trabalho que sempre eram cobertos de risos e mais risos, a alegria contagiante envolvia a todos.
O que mais dói não é a saudade que há desse anjo entre os amigos e familiares, o que mais dói é saber que a injustiça impera e que não houve um sequer responsabilizado pela perda desse grande homem.
Mais valeu amigo, valeu mesmo ter conhecido você, ter conversado, ter sorrido ao seu lado, sonhado junto com você e lutado por dias melhores na nossa profissão. Foi um dos idealizadores do sindicato da categoria. E nossa vitória chegou com o reconhecimento da profissão aprovada no congresso nacional e sancionada pelo presidente Lula. A vitória também é sua meu amigo. Você não deixou saudades, simplesmente porque você não foi, pelo contrário, você ainda vive entre nós. Em memória a um grande homem, Waldomiro Siqueira!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Mazelas no Trânsito

Chora a criança com fome

As cinco da manha.

Chora a esposa

A falta do marido provedor,

Que perdido foi num acidente

Avassalador. E o que restou

Foi o amontoado de ferro.

A cada dia sofre mais famílias, resultado

da tragédia infernal do trânsito. É lamentável,

porém real, a carnificina que ocorre diariamente

nas vias do Brasil a fora.

São mais de 50 mil mortos e

Mais de 22 bilhões de reais gastos

Com acidentes de trânsito. É muita gente e

muita grana.

O animal irracional que guia o veículo

Não passa de um lobo egoísta e folgado.

Lobo feroz, preocupado apenas com sua

Necessidade. O resto que se exploda.

Paz

Não uma paz que soa como um toque de um sino

Uma paz que alcance a si próprio

Antes de alcançar o próximo.

* Em memória do meu grande amigo Instrutor de Trânsito Waldomiro Siqueira morto num acidente de trânsito em 2009 quando atravessava a rua. Saudades de um grande homem!

Autor

Charles Batista

Instrutor de Trânsito e Presidente do Sindicato dos Instrutores de Trânsito do Acre - Sintac

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sistema Prisional: falido ou desorganizado?

Muitas organizações de direitos humanos consideram o sistema prisional norte-americano como um dos piores do mundo.

O Texas é o estado norte-americano mais desrespeitador dos direitos das populações prisionais na América, aquele que aplica mais penas de morte, e onde George W. Bush, no exercício do cargo de governador, mandou executar quase duas centenas de presos. Muitos reclusos em idade menor são sentenciados a cumprir penas em prisões para adultos.

Muitos presos são castigados pelos guardas por denunciarem violações e a segurança prisional chega mesmo a aconselhar os queixosos a procurar a protecção, a troco de favores sexuais. Segundo um relatório da Amnistia Internacional, também as condições de isolamento em muitas cadeias norte­‑americanas violam os padrões internacionais. Os detidos da prisão de Boscobel, no Wisconsin, não têm direito a qualquer tipo de exercício ao ar livre e só vêem os familiares através de um ecrã de vídeo.

Os Estados Unidos é o país que mais pessoas executam em todo o mundo ocidental. Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, de Abril a Junho de 2001, foram executados, nos Estados Unidos, 66 reclusos, fazendo deste país um caso único no mundo chamado civilizado. Em 2003, estavam condenadas à morte 3700 pessoas nos EUA e nos últimos anos houve um vertiginoso aumento de condenações e execuções.

No cenário brasileiro as prisões e penitenciárias são verdadeiros depósitos humanos, onde homens e mulheres são deixados aos montes sem o mínimo de dignidade como seres humanos que são. O excesso de lotação dos presídios, penitenciarias e até mesmo distritos policiais também contribuem para agravar a questão do sistema penitenciário. Locais que foram projetados para acomodar 250 presos, amontoam-se em média 600 ou mais presos, acarretando essa superlotação, o aparecimento de doenças graves e outras mazelas, no meio dos detentos.

As drogas e as armas são outros fatores determinantes no problema do sistema penitenciários brasileiro. Temos visto e ouvido nos noticiários, o grande número de armas e a grande quantidade de drogas que são apreendidos diariamente nos presídios. Um cidadão que prendi quando este, saiu me disse que dentro da prisão foi o tempo que mais consumiu droga em sua vida de viciado. Não faltava droga um dia se quer, era de todo tipo.

Aqui no Acre o sistema penitenciário aumentou 625% nos últimos dez anos. Os problemas enfrentados no restante do Brasil também são vistos aqui no Estado do Acre. Porém, é um problema grave de Estado, digo, de falta de políticas públicas voltadas para a recuperação e reinserção social do reeducando. Agora, a sociedade não deve ficar esperando o poder público isoladamente resolver da noite para o dia os imensos problemas sociais encontrados no sistema prisional que há décadas se amontuaram nas cadeias.

Não é usurpando os direitos dos presos que se atingirá os objetivos previstos nas sanções aplicadas aos mesmos, os seus direitos como os deveres estão claros, como nos mostra o Decreto - Lei N.º 2.848, de 7 de dezembro de 1940.

Art.38. O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a todas as autoridades o respeito à sua integridade física e moral.

Talvez uma das soluções para um melhor resultado das sanções aplicadas seria colocar em prática o que já está previsto em lei, o trabalho dos detentos nos sistemas prisionais, Lei N.º 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984. Leis de Execuções Penais.

Art.28. O trabalho do condenado , como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva.

Art. 126. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semi-aberto poderá remir, pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena.

Art. 128. O tempo remido será computado para a concessão de livramento condicional e induto.

Laborterapia, trata-se de ocupar o tempo fazendo uma atividade profissional . Poderão os detentos desenvolver atividades que varia da manutenção do presídio, panificação, cozinha e faxina, até atividades como a confecção de bolas ,caixões e outras tantas atividades mais que possam ser desenvolvidas dentro dos presídios.

Acredito que com uma melhor atenção, com carinho e um plano de políticas públicas efetivas organizadas se não resolverão de imediato o problema ao menos amenizarão o sofrimento de muitos presos.

E, ademais, não são penas pesadas e seu cumprimento cruel que podem ser apontados como fator de diminuição da criminalidade.



Charles Batista



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quero denunciar minha mãe!

O título desse texto foi o que um garoto de 8 anos de idade disse neste sábado (31/07/2010) ao chegar na delegacia. Um rapazinho, moreno, 8 anos, estudante da 1º série, sujo, chorando muito que solussava, com algumas marcas vermelhas na costa, resultado da violência provocada pela mãe da criança. O nome dele é caio. Apesar de ser uma criança de 8 anos e atrasado na escola, demonstrou ser muito inteligente nos poucos minutos que conversei com ele.
Gabriel Pensador em sua música "palavras repetidas" cantada com renato russo diz "A terra tá soterrada de violência, de guerra, de sofrimento, de desespero, agente tá vendo tudo na nossa frente, ta vendo a aberração" . O Trecho da música revela a realidade em que vivemos, seja nas cidades grandes, seja em pequenas cidades. A violência tomou conta. Uma pergunta que não quer calar soa em meus ouvidos: Aonde erramos? ou melhor, aonde está o erro, responsável por tanta violência (contra a mulher, crianças, jovens, adultos, idosos, no trânsito etc)?
Será a falta de educação responsável por esta mazela? Alguns estudiosos apontam que a falta de educação é responsável sim pela violência gerada atualmente. Agora eu me questiono: Será mesmo? vejo O Caso Richthofen, uma moça rica, onde os pais deram a melhor educação desde o berço, estudante do curso de direito, tinha tudo que queria e comprava tudo que desejava. Será que lhe faltou educação para planejar a morte dos próprios pais?
Esse é apenas um exemplo onde há uma pessoa considerada da alta sociedade (com uma ótima educação) envolvida em violência e presente nas páginas policiais.
O garoto caio, que descrevi acima, chegou na delegacia dizendo que sua mãe lhe bateu com um pau, realmente ele tinha hematomas pelas costas e estava com a mão um pouco inchada. Fui até a residência da mãe verificar o que tinha acontecido. Chegando lá, a mãe ainda quis justificar o motivo da agressão, dizendo que o menino não a obedece. O mais interessante foi quando eu perguntei, ainda na delegacia, para o garoto o que ele queria que eu fizesse com a mãe dele. Ele
disse: "Quero que o senhor prenda ela e deixe ela durmir pelo menos uma noite na cela para ela (a mãe) aprender a não bater mais nos filhos".
Eu vejo que a violência crescente atual é o reflexo de uma lacuna pela falta de amor, um amor não entre um homem e a mulher, mas um AMOR que reflita o respeito, a educação e o carinho pelo próximo, como diz Renato Russo: "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanha, porque se você parar pra pensar na verdade não há".

sexta-feira, 19 de março de 2010

Por que faltam bons educadores nas escolas

Não é segredo que a carreira de professor já não atrai os jovens. Uma pesquisa recém divulgada pela revista Nova Escola, publicada pela Editora Abril, e realizada pela Fundação Victor Civita e Fundação Carlos Chagas revela quais os aspectos que mais afastam os jovens da carreira docente. O levantamento ouviu 1 501 alunos do Ensino Médio de 18 escolas públicas e privadas. Vamos às consclusões:

Motivos pelos quais os jovens repudiam a carreira de professor:

  • Baixa remuneração – 40%
  • Falta de identificação profissional ou pessoal – 32%
  • Desinteresse e desrespeito dos alunos – 17%
  • Desvalorização social do professor – 17%
  • Más condições de trabalho – 12%
  • Outros – 15%

Os números acima revelam uma triste realidade por si mesmo. Mais grave, no entanto, é pensar que as previsões de crescimento econômico para o Brasil para 2010 estão entre 4,6% (segundo o ex-ministro Maílson da Nóbrega) e 6% (segundo Jim O’Neill, economista chefe do banco de investimentos americano Goldman Sachs).

Considerando os próximos cinco anos, fala-se em um crescimento do PIB em torno de 5% ao ano. O que significa que a falta de gente com um diploma debaixo do braço vai se tornar crítica – muito mais do que já é hoje. Em outras palavras, olhando para as conclusões da pesquisa da Fundação Victor Civita e Fundação Carlos Chagas e considerando as previsões para a economia brasileira para os próximos anos fica a pergunta: como vamos aproveitar as oportunidades de crescimento se o setor de Educação não consegue atrair gente nova – e competente? Se não tem professor, não tem profissional qualificado. E sem gente capacitada não tem como desenvolver todo o potencial de crescimento do país. Vamos ver qual a proposta dos candidatos à presidência para essa questão a partir de algumas semanas.

O presídio da meditação

Maior cadeia da Índia monta retiro espiritual para os detentos - que ficam 10 dias em silêncio absoluto

por Juliana Cunha

O Complexo Penitenciário de Tihar, em Nova Délhi, é tão feio, sujo e desumano quanto os piores presídios brasileiros. Ele abriga 13 mil detentos, o dobro de sua capacidade oficial - e 60% mais gente do que o Carandiru, em São Paulo, chegou a ter. Mas desse inferno surgiu um foco de paz: Tihar criou um programa de meditação voluntária, do qual os presos podem participar em busca de tranquilidade e elevação espiritual. A cada duas semanas, uma ala do pavilhão 4 é reservada para os retiros, que duram 10 dias e não são nada fáceis. Os presos devem ficar completamente em silêncio e meditar por 8 horas diárias - absolutamente parados, sem mexer nenhum músculo do corpo. É a vipassana (termo que significa "visão interior"), uma prática milenar do budismo - e um dos tipos de meditação mais difíceis que existem. Cada detento pode fazer o retiro a cada 3 meses - e a maioria dos que começam não para mais. Nem todo preso é aceito no retiro. É preciso que ele se mostre realmente interessado, e convença os professores de que é capaz de seguir as regras do programa de meditação.

"A vipassana nos ajuda a ver as coisas como são. Por isso, acaba ajudando os presos a enxergar a detenção como uma etapa, uma jornada para se tornarem pessoas melhores e verdadeiramente livres", afirma o professor de meditação Satya Narayan Goenka, que teve a ideia de instituir a prática na cadeia. Segundo ele, os presos se tornaram mais calmos, a penitenciária passou a registrar menos incidentes violentos, e a reincidência criminal dos que são soltos também diminuiu. No Brasil, um grupo de praticantes tenta convencer, desde 2008, o governo a implantar a vipassana nos presídios. Da vida loka para a vida espiritual.

Mensagem Bíblica

Deus é Fiel!